Anos 1970

1970

Passa a utilizar nos relevos elementos cilíndricos de maior volume e em muito menor quantidade, aparecendo geralmente em duplas, denominados “trombas”. Sobre o relevo n. 315 [Eclipse], Ronaldo Brito comenta em texto: “Em uma peça de ruptura, incompreensível fora da lógica estrita do trabalho, Camargo atravessa o plano com o volume. Deixando de funcionar como campo projetivo lá está o plano suspenso entre volumes, transformado ele próprio em volume: retângulo espesso entre potentes cilindros” [Camargo, São Paulo, Akagawa, 1990]. Existem três exemplares dessa peça, um deles integrando o acervo permanente do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

As obras recentes são apresentadas em individuais na Gimpel Fils Gallery, em Londres, e na Galleri Gromholt, em Oslo.

Integra a 2ª Bienal de Arte Coltejer, na Colômbia, e a 8ª Biennale Internationale de Menton, na França, dedicada esse ano à América Latina.

1971

O mármore passa a ser o material mais utilizado pelo artista. As esculturas são executadas no ateliê de Massa, a partir de protótipos enviados pelo artista.

Expõe em cinco individuais, sendo duas delas nas unidades da galeria italiana Artestudio, em Macerata e em Brescia, outras duas na Alemanha, na Galerie Buchholz, em Munique, e na Galerie M. Bochum, em Bochum, e na Noruega, na Galleri Gromholt, em Oslo.

1972

Doa Homenagem a Brancusi ao futuro Museo de Arte Moderno Jesús Soto, em Ciudad Bolívar, Venezuela.

Em maio apresenta 23 obras em individual no Estudio Actual, em Caracas.

Em setembro, inaugurando o novo espaço da Collectio Galeria de Arte, em São Paulo, apresenta 46 obras, abrangendo o período de 1966 a 1972. A autoria do projeto gráfico do catálogo e do relevo de madeira que acompanha parte da publicação é de autoria do amigo Willys de Castro. Em novembro expõe em individual na Petite Galerie, no Rio de Janeiro.

1973

Em abril, instala torre monumental de mármore na entrada do Collège d’Énseignement Technique (hoje Lycée Edmond Doucet), em Equeurdreville, na França.

Em junho é instalada uma escultura “Tour Modulée” no hall da Fylkeshuset, de Trondheim, Noruega. É a primeira vez que emprega a pedra negro belga na base da peça.

Integra a 7ª Biennale Internazionale di Scultura – intitulada “La Sculpture et la Dimension d’Homem”-, em Carrara.

1974

Em janeiro inaugura individual na Gimpel Fils Gallery, em Londres, com 28 trabalhos em mármore, sendo esta a primeira vez que expõe exclusivamente esculturas nesse material.

No mesmo mês instala a coluna monumental Homenagem a Brancusi na esplanada da Faculdade de Medicina de Bordeaux.

Nesse período apresenta seu trabalho na Galleri Gromholt, em Oslo, e, em agosto, no Museo de Arte.

Retorna definitivamente ao Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro, e inicia a construção do seu ateliê em Jacarepaguá com o arquiteto José Zanini Caldas e paisagismo do próprio artista.

1975

Em maio apresenta individual no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, com 52 relevos em madeira e 41 esculturas em mármore, obras produzidas entre 1963 e 1975. Paralelamente, abre individual com 20 relevos em madeira e 17 esculturas em mármore na Galeria Luiz Buarque de Hollanda & Paulo Bittencourt.

Em agosto realiza individual na Galeria Arte Global, em São Paulo, apresentando 20 obras. O catálogo tem texto assinado por Ronaldo Brito e projeto gráfico de Fernando Lemos.

Por intermédio de Brito passa a frequentar um grupo de artistas e críticos em que encontra contexto propício para discussão e reflexão sobre arte, e estabelece com esse grupo, formado basicamente por jovens como lole de Freitas, José Resende, Tunga e Waltercio Caldas, um diálogo produtivo do qual será parte até o fim de sua vida.

1976

A Pinacoteca do Estado de São Paulo adquire a coluna de mármore n. 392 (1973).

A Fundação Armando Alvares Penteado adquire igualmente uma coluna de mármore, a de n. 391 (1973), instalada no jardim de esculturas da instituição. A obra pertence ao acervo permanente do Museu de Arte Brasileira, em São Paulo.

1977

Em outubro apresenta individual no Gabinete de Artes Gráficas, em São Paulo – com 13 relevos e 16 esculturas em mármore -, e o acervo do futuro Museo Tamayo na Cidade do México.

Ganha o prêmio de melhor escultor do ano pela Associação Paulista dos Críticos de Arte.

1978

Instala escultura-lápide [n. 469a] no mausoléu da Família Evers, em Oslo.

Na coletiva “50 Anos de Escultura”, na Praça Nossa Senhora da Paz, no Rio de Janeiro, participa com duas esculturas: n. 405 (1973), instalada definitivamente no ano seguinte no Parque da Catacumba; e n. 387 (1973), que permite a participação do público por meio de movimento da parte superior da peça.

1979

No aniversário da cidade de São Paulo desse ano é inaugurado oficialmente o jardim de esculturas da Praça da Sé, e, entre as obras, a escultura de mármore n. 464 de Camargo.

Em abril instala Ala Lunar no jardim de esculturas do Museo de Bellas Artes de Caracas. Esta obra fez parte do intercâmbio estabelecido entre as chancelarias da Venezuela e do Brasil, que previa também a instalação da obra Ala Solar, de Alejandro Otero, no Parque Ecológico do Tietê, o que não chegou a ser realizado.

Integra a 15ª Bienal Internacional de São Paulo, que reúne em sala especial os premiados das edições anteriores.

Começa a empregar regularmente pedras negras a partir da encomenda de um jogo de xadrez. Feitas inicialmente em mármore de Parma, mais tarde Camargo adota o mármore negro belga para suas peças, por apresentar maior resistência ao corte.

A Secretaria da Cultura de São Paulo adquire a torre de mármore n. 295 (1972), transferida posteriormente para o acervo permanente da Pinacoteca do Estado de São Paulo.